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Não me lembro quando comecei a brincar de faz de conta. Com o nome de RPG foi em 93, há 33 anos atrás. Nunca tive hiatos  maiores do que algumas semanas. De lá pra cá traduzi livros, organizei eventos regionais, nacionais e internacionais, fundei a primeira agência de mestres profissionais do mundo e hoje lidero o RPG DOJO e represento o Teacher Gamer aqui no Brasil.


O que me inspira nisso tudo é o poder do faz de conta. O Harari diz que foi a nossa capacidade de inventar ficção juntos que mudou o destino da raça humana, e é brincando de faz de conta que a gente treina as habilidades mais importantes no mundo de hoje: escutar, cooperar, nos colocarmos no lugar uns dos outros. Por isso levo RPG pra escolas, empresas e para a minha vida como um todo.

Pra esse serviços funcionarem, a gente precisa de boas ferramentas. E ferramentas boas vem de gente boa e que pesquisa de verdade, como o Gui Providello. Já vi muito retroclone passar na minha frente, mas como esse aqui, nenhum. Aviso logo: tive o privilégio de acompanhar desde o rascunho e dei meus pitacos, então não sou leitor neutro.

Sem classes, sem atributos, personagem que crescem pela ficção, pelo que exploram, aprendem e carregam. E mesmo assim dá pra abrir qualquer aventura ou bestiário de D&D clássico ou outros retroclones e sair jogando. As notas do autor mostram de onde isso veio: GLOG, Principia Apocrypha, Muster, vinte anos de blogs lidos e digeridos. Tecer esse artesanato riquíssimo sem quebrar a compatibilidade dá um trabalho danado. O Gui é muito humilde com o próprio trabalho e tenta disfarçar a quantidade brutal de pesquisa há por trás de cada parágrafo. Para olhos treinados, fica óbvio que cada página, cada mínima escolha, foi extremamente pensada.

Tem também o jeito como o jogo chega na gente: em português, pague quanto quiser, com licença aberta que deixa a comunidade mexer, hackear e passar adiante. Eu mesmo estou fazendo um hack dele. Adaptando a um dos clássicos que eu tanto amo. Trago notícias em breve pelo meu Itch.io — onde, inclusive, há uma dica sobre esse meu esforço atual.

É esse tipo de pesquisa que permite levar o RPG pra sala de aula, pra empresa, pra tudo quanto é canto da nossa cultura, e mostrar que ele é uma mídia. "Ninguém precisa de mais um retroclone", diz o próprio livro. Esse aqui a gente precisava. Quem escreve RPG, no Brasil ou fora, tem muito o que aprender lendo e, principalmente, jogando isso.

Valeu, Gui. 🤜🫷

Pô muito obrigado irmão! Espero que muitos Jogos de Elfo aconteçam Brasil a fora!!!